Cruzando a órbita prum novo mar

Xênia França e o afrofuturismo no videoclipe de Nave

Autores

DOI:

https://doi.org/10.46391/ALCEU.v21.ed43.2021.211

Palavras-chave:

Afrofuturismo, Xênia França, Atlântico Negro, Utopia e distopia, Racismo

Resumo

O artigo visa analisar o uso do afrofuturismo pela cantora baiana Xênia França, através da análise de seu videoclipe Nave (2019). Tentando entender vários sentidos que emergem do significado do movimento político-estético negro e transnacional a partir de autores como Dery e Tate (1994), Corbett (1994) e Eshun (2003), Womack (2013), procura-se cruzar essas referências como possíveis continuidades e interpretações audiovisuais da canção. Há o entendimento do afrofuturismo enquanto instrumento crítico ao racismo e a percepção de sua manifestação em artes negras como não algo somente da contemporaneidade. Também interessa a sugestão de que a cantora segue uma ligação espaço-temporal tecida pelas encruzilhadas do Atlântico negro, especialmente na música afrodiaspórica.

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Biografia do Autor

Rafael Pinto Ferreira de Queiroz, Universidade Federal de Pernambuco - UFPE

Doutor e Mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), possui graduação em Comunicação Social - Rádio, TV e Internet pela mesma instituição. Escreveu e pesquisou sobre música e comunicação abordando os temas como mídia, consumo, materialidade, cenas e circuitos culturais. Foi bolsista pesquisador da Fundarpe (Fundação do Patrimônio Historico e Artistico de Pernambuco) na Coordenadoria de Música. Escreveu para as revistas Outros Críticos e MI (Música Independente), entre matérias, resenhas, entrevistas e ensaios, ainda desenvolvendo um trabalho como DJ, tendo integrado o projeto coletivo de discotecagem de música africana e afrodiaspórica, Estrela Negra. Atualmente pesquisa a música do Atlântico Negro, sua produção, distribuição e consumo relacionados a processos identitários e questões raciais.

Referências

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Publicado

2021-05-24

Edição

Seção

Dossiê Distopia e narrativas contemporâneas: a difícil arte de imaginar o futuro