Agir cartográfico

Proposta teórico-metodológica para compreensão e exercício do jornalismo em rede

Autores

DOI:

https://doi.org/10.46391/ALCEU.v22.ed47.2022.298

Palavras-chave:

Agir cartográfico, Mediação qualificada, Ciberacontecimento

Resumo

O artigo formula proposta a partir de exercício teórico diante do que é postulado ser uma crise sistêmica no jornalismo contemporâneo. Na perspectiva da filosofia da linguagem, a natureza da crise delineia-se pela disputa de sentidos que se estabelece na semiosfera, cuja conformação é afetada intensamente pelo alto grau de conectividades que se processam no ambiente digital. Versões contemporâneas do fenômeno designado como “fake news” e outros desdobramentos, como a ascensão de imaginários retrógados, adensam a configuração dessa crise. Considerando-se as tensões que esse fenômeno produz sobre as práticas jornalísticas, emerge a proposta do agir cartográfico, associado à interface dos conceitos de ciberacontecimento e breaking news, como alternativa teórico-metodológica para a compreensão e o exercício do jornalismo em rede. É um movimento que projeta o jornalismo na condição de mediação qualificada, favorecendo formas mais complexas de representação e interpretação do mundo.

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Biografia do Autor

Felipe Moura de Oliveira, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Doutor em Ciências da Comunicação (Unisinos), linha de pesquisa Linguagem e Práticas Jornalísticas, com tese que discute processos sociais em redes digitais e suas implicações sobre o jornalismo contemporâneo a partir de incursões às redações dos jornais Folha de S.Paulo (Brasil), El País (Espanha) e The New York Times (EUA); autor de "La semiosis de la noticia: Movimientos sociales en red y crisis del periodismo" (Barcelona: Editorial UOC, 2018). Professor e coordenador do curso de Jornalismo da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Fabico/UFRGS). Colíder do Grupo de Pesquisa/CNPq Jornalismo Digital (JorDi). Foi repórter correspondente do jornal Correio do Povo (RS), gerente de redação do Portal novohamburgo.org e diretor de conteúdo na Versão Final Comunicação. Experiência também em revista e televisão pública.

Ronaldo Cesar Henn, Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos)

Professor/pesquisador no PPG em Ciências da Comunicação da Unisinos/RS, com doutorado e mestrado em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1994 e 2000), e estágio de pós-doutorado na Universidade Nova de Lisboa (2015/2016). Pesquisa produção e proliferação de acontecimentos nas redes e plataformas digitais, com foco em diversas temáticas. É pesquisador PQ/CNPq Nível 2. Tem orientações concluídas em trabalhos de conclusão de Graduação, Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado. Integra os projetos RISE SMA Social Media Analytics for Society and Crisis Communication (consórcio de pesquisa financiado pela União Europeia) e o Probal DAAD/Capes Misleading imagery. The influence of visualizations on fake news dissemination on social media. Participa do GT Estudos do Jornalismo da Compós (foi coordenador e vice entre 2009 e 2012) e do GP Semiótica da Comunicação da Intercom. Foi membro do Conselho Científico da Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo. É autor de El Ciberacontecimiento: producción y semiosis (Barcelona: UOC ,2014), Os Fluxos da notícia (São Leopoldo: Unisinos, 2002) e Pauta e Notícia, uma abordagem semiótica (Canoas: Ulbra, 1996).

Moreno Cruz Osório, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)

Jornalista pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (2007), mestre e doutor em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (2013) e pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (2018), respectivamente. Também possui Especialização em Cinema pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (2009). Atualmente, é professor no curso Jornalismo da Faculdade de Comunicação, Artes e Design Famecos, na PUCRS. Na instituição, integra o núcleo de Jornalismo Digital. No doutorado, foi bolsista CNPq. Em 2017, foi bolsista PDSE na University of Groningen, Holanda, por quatro meses. Integra os grupos de pesquisa Estudos em Jornalismo (Unisinos), Laboratório de Investigação do Ciberacontecimento (Unisinos) e Jornalismo Digital, na UFRGS. Dedica-se à pesquisa de jornalismo em coberturas de breaking news (notícias urgentes), curadoria em jornalismo e jornalismo investigativo. Atuou como jornalista em redação de um portal de internet durante oito anos. É cofundador do Farol Jornalismo (faroljornalismo.cc).

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Publicado

2022-10-10

Edição

Seção

Dossiê Cartografias da comunicação na era algorítmica