Cli-fi e narrativas distópicas do futuro

O espaço da ironia em Downsizing

Autores

DOI:

https://doi.org/10.46391/ALCEU.v21.ed43.2021.216

Palavras-chave:

Narrativas distópicas, Futuro, Ficção Científica, Discurso

Resumo

O artigo discute, a partir da crítica de uma obra ficcional, as dimensões discursivas da ironia na narrativa distópica do futuro, no qual a vida humana e a própria sobrevivência do planeta encontram-se ameaçadas pelo avanço inexorável do consumismo, do progresso capitalista e dos seus impactos sobre a crise climática global. Metodologicamente, o texto explora os conceitos bakhtinianos da linguagem do riso na conformação dos sentidos sociais, buscando identificar seu potencial enquanto estratégia argumentativa. A análise aponta para a eficácia discursiva da ironia para abordar o comportamento humano irremovível frente às promessas dos prazeres inesgotáveis do lazer permanente e do consumismo e o fracasso da máquina autopoiética guattariana na produção de novas subjetividades e do agenciamento coletivo para a produção de novas realidades, ambos fenômenos necessários ao enfrentamento do iminente colapso ambiental.

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Biografia do Autor

Antonio Hélio Junqueira, Universidade Federal do Paraná (UFPR)

Doutor em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (2011-2014), com Estágio Pós-doutoral (bolsa CNPq) em Comunicação e Práticas de Consumo, pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) no biênio 2016-2017. Atualmente, realiza Estágio Pós-doutoral no Programa de Pós-graduação em Gestão da Informação na Universidade Federal do Paraná (UFPR).

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Publicado

2021-05-24

Edição

Seção

Dossiê Distopia e narrativas contemporâneas: a difícil arte de imaginar o futuro