Chamada para Dossiê “Silvio Tendler – Memória, História e Imagem no Documentário Brasileiro”

20.11.2025

Os professores e pesquisadores Ana Paula Goulart Ribeiro (UFRJ), Fernando Seliprandy (UFPR) e Flora Daemon (UFRRJ e UFF), editores convidados do dossiê “Silvio Tendler – Memória, História e Imagem no Documentário Brasileiro”, propõem a submissão de artigos sobre a trajetória e a obra do cineasta Silvio Tendler (1950-2025).

O prazo para submissão é 2 março de 2026. Os artigos devem seguir o modelo para submissão e as normas editoriais da Revista Alceu​​.

Segue a chamada completa, com os eixos temáticos propostos:

Reconhecido como um dos mais importantes documentaristas do Brasil, Silvio Tendler dedicou sua carreira à construção de uma cinematografia comprometida com a memória histórica, as lutas sociais e as figuras emblemáticas da política e da cultura brasileira. Seu trabalho contribuiu de forma significativa para o debate público sobre a ditadura militar, a redemocratização, os direitos humanos e a soberania nacional.

Autor de filmes como Anos JK – Uma trajetória política (1980), Jango (1984) e Encontro com Milton Santos: o mundo global visto do lado de cá (2006), além de produções televisivas como Anos Dourados (1992), Silvio Tendler construiu uma obra extensa e diversa, atravessando cinema, documentário e televisão para narrar o Brasil por meio de suas figuras públicas, lutas sociais e utopias coletivas. Trata-se de um trabalho que articula memória e história em um projeto audiovisual que busca não somente dar visibilidade às tensões e contradições que moldam o país como também compartilhar a experiência histórica com públicos amplos. 

Além de sua produção cinematográfica, Tendler construiu uma trajetória marcada pelo engajamento intelectual, pela docência na universidade e pela defesa do cinema como instrumento de formação cidadã. Estudos apontam que, ao inscrever sua obra em um projeto de militância pela memória, o cineasta conferiu ao documentário e à televisão um papel chave na democratização do conhecimento e na disputa dos sentidos do passado.

Este dossiê busca reunir reflexões inéditas sobre o legado de Silvio Tendler, explorando as interfaces entre cinema, história, política e linguagem documental. Serão aceitos artigos que se relacionem com um ou mais dos seguintes eixos temáticos:

  1. História e audiovisual – A relação da obra de Silvio Tendler com a história; formas de representação do passado no cinema documental; construção da narrativa histórica por meio da linguagem audiovisual.

  2. Biografias e figuras históricas – Estudos sobre as personagens centrais dos filmes de Tendler; a abordagem biográfica como recurso para discutir processos históricos e ideológicos.

  3. Ditadura militar e memória – O papel do cinema de Silvio Tendler na construção da memória da ditadura militar no Brasil; resistência cultural e política pela imagem.

  4. Linguagem do documentário – Análises da estética, montagem, sonoridade, ritmo narrativo e outras estratégias formais presentes em seus filmes.

  5. Uso de imagens de arquivo – A apropriação e ressignificação de materiais de arquivo na construção documental; a imagem de arquivo como fonte histórica e estética.

  6. Marca autoral no documentário – Identidade estética e política na filmografia de Silvio Tendler; autoria e estilo no documentário comprometido.

  7. Cinema político – O documentário como ferramenta de crítica e intervenção social; aproximações entre cinema e militância.

  8. Produção para televisão – A presença da obra de Silvio Tendler no meio televisivo; representações do passado histórico na ficção televisiva.

 

Editores convidados:

Ana Paula Goulart Ribeiro

Professora titular da Escola de Comunicação e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da UFRJ. Coordena o grupo de pesquisa Memento (Mídia Memória e Temporalidades) e a equipe UFRJ/UFES do Obitel Brasil (Rede Brasileira de Pesquisadores de Ficção Televisiva). É presidente da Relahm (Rede Latino-americana de História da Mídia) e cofundadora da Rememora (Rede Brasileira de Pesquisadores em Memória e Comunicação). Autora dos livros Imprensa e história no Rio de Janeiro dos anos 50 (E-Papers, 2007) e Televisão e memória: entre testemunhos e confissões, com Igor Sacramento (Mauad X, 2020), entre outros. Bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq e Cientista do Nosso Estado da Faperj.

Fernando Seliprandy

Professor do Departamento de História (Dehis) e do Programa de Pós-Graduação em História (PPGHIS) da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Autor dos livros Memória intergeracional: ditaduras, documentário, subjetividade (A Quadro, 2025) e A luta armada no cinema: ficção, documentário, memória (Intermeios, 2015), entre outros artigos e capítulos. Pesquisa o regime militar brasileiro e sua memória com base em fontes audiovisuais. Membro do grupo de pesquisa CNPq História e Audiovisual: Circularidades e Formas de Comunicação.

Flora Daemon

Professora do Departamento de Letras e Comunicação na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e do Programa de Pós-Graduação em Cultura e Territorialidades da Universidade Federal Fluminense (PPCULT/UFF). Desenvolve pesquisa a respeito da responsabilidade de empresas em violações de direitos humanos durante a Ditadura e sobre o papel dos testemunhos das ações de Terrorismo de Estado na América Latina. É autora do livro “Sob o signo da infâmia” (Garamond/Faperj, 2015) e coautora de "A serviço da Repressão: Grupo Folha e violações de direitos na ditadura" (Mórula, 2024).