A(s) masculinidade(s) torcedoras

Uma análise discursiva do imaginário dos cantos da torcida do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense

Autores

DOI:

https://doi.org/10.46391/ALCEU.v24.ed52.2024.386

Palavras-chave:

Futebol, Torcedores, Imaginário, Masculinidade, Grêmio

Resumo

O futebol permite observar como os indivíduos envolvidos no jogo – atletas, torcida, etc. – se sentem, enxergam e percebem o mundo ao seu redor. O presente artigo tem como objetivo identificar os imaginários de masculinidades expressos nos cantos da torcida do Grêmio, clube de futebol de Porto Alegre. Para tanto, foi feita uma observação in loco dos cantos e, a partir da Análise Discursiva de Imaginários e do levantamento teórico sobre gênero e masculinidades, foi possível confirmar que as músicas entoadas pelos gremistas privilegiam uma masculinidade hegemônica e heteronormativa, que deprecia o rival usando termos homofóbicos, valoriza o consumo de álcool, o regionalismo e o pertencimento ao clube. Apesar disso, os cantos também valorizam a homoafetividade entre torcedores do mesmo clube, celebrando a alegria, o amor, a festa e a união.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

André Iribure Rodrigues, Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS

Professor Associado do Departamento de Comunicação e Colaborador do Programa de Pós-graduação em Comunicação da UFRGS. Temas principais: representações, gênero e sexualidade, publicidade e propaganda, em suas perspectivas estratégica e histórica.

Soraya Bertoncello, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS

Doutoranda e mestra no Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

Referências

ALABARCES, Pablo. Crónicas del aguante: fútbol, violencia y política. Buenos Aires: Capital intelectual. 2012

______. La violencia es un mandato. Revista Anfíbia, 2018.

______; RODRÍGUEZ, María Graciela. Cuestión de pelotas: futbol, deporte, sociedad, cultura. Buenos Aires: Atuel, 1996.

______; GARRIGA ZUCAL, Jose; MOREIRA, María Verónica. El "aguante" y las hinchadas argentinas: una relación violenta. Horizontes Antropológicos. v. 14, n. 30, dez. 2008.

ANJOS, Luiza Aguiar dos. Plumas, arquibancadas e paetês: Uma história da Coligay. Santos: Dolores Editora, 2022

ARCHETTI, Eduardo. “Fútbol y ethos”. FLACSO Monografías e Informes de Investigación, v. 1 n.7, p. 71-109. 1985.

______. Masculinidades: fútbol, tango y polo en la Argentina. Buenos Aires: Editorial Antropofagia, 2003.

BANDEIRA, Gustavo Andrada. Um currículo de masculinidades nos estádios de futebol. Revista Brasileira de Educação. v. 15, n. 44, p. 342-351, 2010.

______; SEFFNER, Fernando. Futebol, gênero, masculinidade e homofobia: um jogo dentro do jogo. Espaço Plural. v. 14, n. 29, 2013.

BOURDIEU, Pierre. A dominação Masculina. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002.

BRAGA, José Luiz. Constituição do campo da comunicação. Verso e Reverso, v. 58, p. 62-77, jan./abr. 2011. Disponível em: https://revistas.unisinos.br/index.php/versoereverso/article/view/924

BUARQUE DE HOLLANDA, Bernardo Borges. O clube como vontade e representação: O jornalismo esportivo e a formação das torcidas organizadas de futebol do Rio de Janeiro (1967-1988). 2008. 771 f. Tese (Doutorado em História) - Departamento de História, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2008.

BUNDIO, Javier Sebastián. La construcción del otro en el fútbol. Identidad y alteridad en los cantos de las hinchadas argentinas. Cuadernos de Antropología Social, v.47, 2018.

______. El hinchismo como ideología radical. Revista Kula. Antropólogos del Atlántico Sur, v.1, n.8, p. 60-68, 2013.

BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e a subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.

CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL. Impacto do Futebol Brasileiro. [S. I.]: Ernst & Young Sports.

CONNELL, Raewyn. Masculinities. Berkeley: University of California Press, 1995.

______, MESSERSCHMIDT, James. Masculinidade hegemônica: repensando o conceito. Revista Estudos Feministas, v. 21, n.1, p. 241-282. 2013.

DaMATTA, Roberto. O ofício do etnólogo, ou como ter ‘anthropological blues”. Cadernos do PPGAS, 1978.

______. Universo do Futebol. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1982.

DAMO, Arlei Sander. Do dom à profissão: uma etnografia do futebol de espetáculo a partir da formação de jogadores no Brasil e na França. 2005. 435 f. Tese (Doutorado em Antropologia) - Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2005.

______. Futebol e Estética. São Paulo em Perspectiva. v. 15, n. 3, p. 82-91, 2001.

KIMMEL, Michael. A Produção Simultânea de Masculinidades Hegemônicas e Subalternas. Horizontes Antropológicos. n. 9, p. 103-117. 1998.

LEAL, Ondina Fachel. Os Gaúchos: Cultura e Identidade Masculina no Pampa. Tessituras: Revista de Antropologia e Arqueologia, v. 7, n.1, p. 16–47, jan./jun. 2019.

LEVANTAMENTO Financeiro dos Clubes Brasileiros 2023. [S. I.]: Ernst & Young Sports.

LOPES, Denílson. O entre-lugar das homoafetividades. Ipotesi, Juiz de Fora, v. 5, n.1, p. 37-48, 2001.

MAFFESOLI, Michel. Homo Eroticus: comunhões emocionais. Rio de Janeiro: Forense, 2014.

______. O Imaginário é uma Realidade (entrevista). Revista Famecos: mídia, cultura e tecnologia, v. 1, n. 15 p. 74-82, ago. 2001.

MOZDZENSKI, Leonardo. Outvertising: a publicidade fora do armário. Appris. Curitiba. 2020.

MURAD, Fernando. Copa Feminina bate recorde de patrocínio. Meio & Mensagem. São Paulo, 20 de julho de 2023.

PINTO, Maurício Rodrigues. Torcidas Queer e Livres em Campo: Sexualidade e Novas Práticas Discursivas no Futebol. Ponto Urbe. n. 14, 2014.

SCOTT, Joan. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação & Realidade, 20(2), 1995.

SILVA, Kelvin Emanuel Pereira. Da coligay ao Sheik – (re)produção da homossexualidade no espaço de masculinidades: uma análise de discursos no campo futebolístico. Oficina do Historiador - EDIPUCRS, (Suplemento especial), 2014.

SILVA, Juremir Machado da. Diferença e descobrimento. O que é o imaginário? A hipótese do excedente de significação. Porto Alegre: Sulina, 2017.

______. O que pesquisar quer dizer. Porto Alegre: Sulina, 2019

______. As tecnologias do Imaginário. Porto Alegre: Sulina, 2003.

Downloads

Publicado

2024-05-30

Como Citar

Iribure Rodrigues, A., & Bertoncello, S. (2024). A(s) masculinidade(s) torcedoras: Uma análise discursiva do imaginário dos cantos da torcida do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. ALCEU, 24(52), 269–287. https://doi.org/10.46391/ALCEU.v24.ed52.2024.386

Edição

Seção

Dossiê Estudos contemporâneos em comunicação e esporte