Espelhos e máscaras
Limites da representação na videoperformance dos anos 1970
DOI:
https://doi.org/10.46391/ALCEU.v25.ed56.2025.493Palavras-chave:
Videoperformance, Anos 1970, Artistas mulheres, EspelhosResumo
O artigo propõe uma leitura crítica da videoarte a partir de práticas de artistas mulheres que, na década de 1970, tensionam os limites entre corpo, imagem e performatividade, em um contexto em que a televisão era um dos meios de difusão de discursos políticos e culturais conservadores. A partir da análise das obras de Joan Jonas (Estados Unidos) e Regina Vater (Brasil), discute-se como dispositivos como o espelho, a máscara e a câmera operam não como vetores de autorreferência narcísica, mas como mecanismos de fragmentação, duplicidade, desidentificação e fabulação subjetiva. Em diálogo com a leitura formulada por Rosalind Krauss (1978) — que associa a videoarte a uma estrutura de espelhamento narcísico —, o artigo destaca formas de experimentação que rompem com os modos tradicionais de representação e subjetivação, especialmente relacionados ao gênero feminino.
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