Prorrogação de prazo - submissões para a EDIÇÃO 48

2022-10-06

Dossiê "Consequências das mídias digitais para as democracias na América Latina"

Segundo a literatura especializada, são muitas as formas pelas quais as mídias digitais têm afetado as democracias em geral. A hipermidiatização da sociedade não somente transforma uma série de parâmetros tradicionais da informação política, da representação política, do debate público, da esfera pública e da opinião pública, como também apresenta uma variedade de elementos tecnológicos como algoritmos, robôs, plataformas de mídias sociais e softwares para o manejo de grande volume de dados.

Nesse contexto, alguns autores sugerem, por exemplo, a superação do velho problema da "tirania da maioria", esvaziado frente à possibilidade da tirania de minorias constituídas na comunicação digital direcionada. Outros argumentam que a lógica da mídia digital favorece um relativo "estreitamento epistêmico" da esfera pública, reduzindo as chances do contraditório, fundamental para o desenvolvimento democrático. Alguns apontam para ao menos duas facilidades que as mídias sociais teriam proporcionado a plataformas antidemocráticas: comunicação direta com o cidadão, sem intermediários, e a capacidade de agregação de interesses difusos minoritários. Já muito avançadas ao redor do mundo, tais discussões ainda têm sido pouco abordadas nos diferentes contextos latino-americanos.

A proposta feita aqui, com esta chamada, é a de reunir trabalhos em torno do eixo teórico "Consequências das mídias digitais para as democracias na América Latina". O dossiê procura agregar estudos acerca desse tipo de impacto na região, debatendo como podem ser pensadas as diferentes eras da comunicação política e suas consequências específicas às democracias latino-americanas.

Afinal, como se sabe, Blumler e Kavanagh descreveram, em um estudo clássico, três fases distintas da Comunicação Política: uma na qual a comunicação política está subordinada a crenças e instituições políticas fortes e estáveis; outra na qual se destaca um eleitorado mais volátil, com a profissionalização dos partidos e da comunicação política, adaptada aos padrões e formatos do noticiário televisivo; e uma terceira marcada pela abundância midiática, a intensificação dos imperativos profissionais, a crescente pressão competitiva, o populismo antielitista, um processo de "diversificação centrífuga" e transformações na forma como as pessoas têm contato com a política.

Anos mais tarde, Blumler sugeriu uma quarta era da comunicação política, de uma abundância comunicacional crescente, uma tendência forte de midiatização e uma "diversificação centrífuga" mais intensa, com um conteúdo mais diverso, múltiplas vozes e audiências na esfera pública. Além disso, o autor apontou também para transformações paradigmáticas na difusão e utilização das ferramentas da internet, com consequências para os modelos tradicionais de comunicação política de configuração piramidal, em que o jornalismo político atua hegemônico na mediação da relação entre os políticos e o cidadão. Se, nas eras precedentes, a audiência foi especialmente caracterizada como receptores de comunicação institucionalizada, na quarta era da comunicação política, as mídias digitais permitiram a outros atores e grupos disputar a comunicação em um processo de descentralização crescente.

Do ponto de vista das campanhas eleitorais digitais, alguns autores sugerem que as plataformas teriam entrado na fase da "hipermidiatização", marcada por três tendências: 1) a presença de uma classe profissional de tecnocratas com expertise em tecnologia da informação dentro das campanhas; 2) a incorporação de mídias que permitem segmentação, mensagens produzidas para audiências específicas e produção de conteúdo individualizado para as redes digitais; e 3) a maior incidência de decisões técnicas em relação à produção e ao consumo de conteúdo das campanhas. Dessa forma, o modelo moderno de comunicação política com base em pesquisas de opinião e a procura de maiorias deixou de ser o único caminho de sucesso para as campanhas, e a ideia de "tirania das maiorias" deixou de ser o único problema em jogo para as democracias.

Ainda sobre esse tema, Roemmele e Gibson apontam para uma quarta fase das campanhas políticas, marcadas por quatro tendências: 1) transformações na infraestrutura e nas ferramentas de comunicação digital; 2) um incremento na perspectiva de rede na comunicação com o eleitor; 3) um foco na produção de conteúdo persuasivo mais individualizado; e 4) uma maior abertura das campanhas, em termos dos atores que buscam participar e influenciar nos resultados. As autoras também sugerem duas variações da quarta fase, que chamaram de "científica" e "subversiva". No primeiro caso, engenheiros de software, analistas de dados e especialistas em internet assumem funções estratégicas nas campanhas. Nesse modo "científico", modelos computacionais decidem onde, quando e como desenvolver as operações de campo, compra de mídia e ações de arrecadação das campanhas. O segundo caso é caracterizado por diferentes táticas e motivações, que enfatizam uma liderança personalista, a polarização estratégica, a comunicação direta com os eleitores, a emoção nos conteúdos da campanha, fake news, dark posts e desinformação.

Com a prorrogação do prazo, os artigos podem ser encaminhados até 30 de novembro de 2022, de acordo com as diretrizes indicadas na página eletrônica da Alceu: http://revistaalceu.com.puc-rio.br/index.php/alceu/about/submissions.

Atenciosamente,
Arthur Ituassu, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio)
Carlos Muniz, Universidad Autónoma de Nuevo León (UANL)
Editores convidados

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Dossier "Consecuencias de los medios digitales para las democracias en América Latina"

Según la literatura especializada, los medios digitales han afectado a las democracias en general de diversas formas. La hipermediatización de la sociedad no solo transforma una serie de parámetros tradicionales de la información política, la representación política, el debate público, la esfera pública y la opinión pública, sino que también presenta una variedad de elementos tecnológicos como algoritmos, robots, plataformas de redes sociales y software para el manejo de grandes volúmenes de datos.

En ese contexto, algunos autores sugieren, por ejemplo, la superación del viejo problema de la "tiranía de la mayoría", vaciado ante la posibilidad de la tiranía de minorías constituidas en la comunicación digital dirigida. Otros argumentan que la lógica de los medios digitales favorece un relativo "estrechamiento epistémico" de la esfera pública, reduciendo las posibilidades de la discordancia, algo fundamental para el desarrollo democrático. Algunos autores señalan al menos dos facilidades que los medios sociales habrían brindado a las plataformas populistas antidemocráticas: la comunicación directa con el votante, sin intermediarios, y la capacidad de agregar intereses difusos minoritarios. Ya muy avanzadas en todo el mundo, estas discusiones han sido poco abordadas en los diferentes contextos latinoamericanos.

La propuesta de esta convocatoria es reunir trabajos en torno al eje teórico “Consecuencias de los medios digitales para las democracias en América Latina”. El dossier busca reunir estudios sobre este tipo de impacto en la región, debatiendo cómo se pueden pensar las diferentes eras de la comunicación política y sus consecuencias específicas para las democracias latinoamericanas.

Después de todo, como es bien sabido, Blumler y Kavanagh describieron en un estudio clásico tres fases distintas de la Comunicación Política: una en la que la comunicación política está subordinada a creencias e instituciones políticas fuertes y estables; otra en la que se destaca un electorado más volátil, con la profesionalización de los partidos y la comunicación política adaptada a los estándares y formatos de los noticieros televisivos; y una tercera marcada por la abundancia mediática, la intensificación de los imperativos profesionales, la creciente presión competitiva, el populismo antielitista, un proceso de "diversificación centrífuga" y transformaciones en la manera en que las personas tienen contacto con la política.

Años más tarde, Blumler sugirió una cuarta era de la comunicación política con una creciente abundancia comunicacional, una fuerte tendencia a la mediatización y una "diversificación centrífuga" más intensa, con contenidos más diversos, múltiples voces y audiencias en la esfera pública. Además, el autor también señaló transformaciones paradigmáticas en la difusión y el uso de las herramientas de internet, con consecuencias para los modelos tradicionales de comunicación política con configuración piramidal, en los que el periodismo político actúa de forma hegemónica en la mediación de la relación entre los políticos y el ciudadano. Si en las eras anteriores la audiencia se caracterizaba especialmente como receptora de la comunicación institucionalizada, en la cuarta era de la comunicación política, los medios digitales permitieron que otros actores y colectivos se disputaran la comunicación en un proceso de descentralización creciente.

Desde el punto de vista de las campañas electorales digitales, algunos autores sugieren que las plataformas habrían entrado en la fase de “hipermediatización”, marcada por tres tendencias: 1) la presencia de una clase profesional de tecnócratas con experiencia en tecnología de la información dentro de las campañas; 2) la incorporación de medios que permiten la segmentación, mensajes producidos para audiencias específicas y la producción de contenido individualizado para redes digitales; y 3) la mayor incidencia de decisiones técnicas con respecto a la producción y el consumo del contenido de las campañas. De esta forma, el modelo moderno de comunicación política basado en encuestas de opinión y la búsqueda de mayorías ya no es el único camino para alcanzar el éxito en las campañas, y la idea de “la tiranía de las mayorías” ya no es el único problema en juego para las democracias.

Con respecto a este tema, Roemmele y Gibson señalan una cuarta fase de las campañas políticas, marcada por cuatro tendencias: 1) transformaciones en la infraestructura y las herramientas de comunicación digital; 2) un aumento de la perspectiva de la red en la comunicación con los electores; 3) un enfoque en la producción de contenido persuasivo más individualizado; y 4) una mayor apertura de las campañas, en cuanto a los actores que buscan participar e influir en los resultados. Los autores también sugieren dos variaciones de la cuarta fase, a las que denominaron "científica" y "subversiva". En la primera, ingenieros de software, analistas de datos y especialistas en internet asumen roles estratégicos en las campañas. En este modo "científico", los modelos informáticos deciden dónde, cuándo y cómo desarrollar las operaciones de campo, la compra de medios y las acciones de recaudación de las campañas. La segunda variación, llamada "subversiva", se caracteriza por diferentes tácticas y motivaciones que enfatizan el liderazgo personalista, la polarización estratégica, la comunicación directa con los votantes, la emoción en el contenido de la campaña, las fake news, los dark posts y la desinformación.

Con a ampliación del plazo, los artículos se pueden enviar hasta el 30 de noviembre de 2022, según las pautas indicadas en la web de Alceu: http://revistaalceu.com.puc-rio.br/index.php/alceu/about/submissions.

Sinceramente,
Arthur Ituassu, Pontificia Universidad Católica de Río de Janeiro (PUC-Rio)
Carlos Muñiz, Universidad Autónoma de Nuevo León (UANL)
Editores invitados