Utopia, distopia... Pandemia!

Os sonhos de futuro e a temporalização das imaginações do porvir

Autores

DOI:

https://doi.org/10.46391/ALCEU.v21.ed43.2021.208

Palavras-chave:

Utopia, Distopia, Futuro, Imaginação, Presentismo, Temporalidade

Resumo

Partindo de imagens dos sonhos de futuro do contemporâneo, recuamos historicamente para tentar mapear o enfraquecimento do pensamento utópico e a ascensão da imaginação distópica na atualidade. A partir do gesto genealógico, procuramos elucidar de que modo essa virada estaria relacionada com uma experiência temporal, que deu frutos a outras imagens de futuro na modernidade. Nesse sentido, utopia e distopia não simplesmente se contrapõem, são modos de imaginar o futuro estreitamente relacionados com dinâmicas de poder e modos de experienciar o tempo. O presentismo nos coloca isolados – física e politicamente – em um presente sufocado por previsões de futuro que se expandem num agora que parece se repetir.  O presente torna-se o espaço de ação, embora a passagem do tempo não mais esteja associada ao alcance do lugar melhor ou à utopia moderna que irrompe no futuro para ser afeiçoada e concretizada no projeto coletivo imaginado para o amanhã.

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Biografia do Autor

Mirella Ramos Costa Pessoa, Universidade Federal de Pernambuco - UFPE

Doutoranda pelo Programa de Pós Graduação em Comunicação da UFPE e Mestre pelo Programa de Pós Graduação em Comunicação da Universidade de Brasília, onde apresentou o trabalho "Faces do futuro: imagens da velhice no regime de visibilidade contemporâneo", desenvolvido com apoio financeiro de bolsa financiada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Faz parte do grupo de pesquisa Imagem, Tecnologia e Subjetividade (CNPq). Graduada em Comunicação Social com Habilitação em Publicidade e Propaganda pela Universidade de Brasília. Tem interesse em investigar temas como: velhice, tempo, futuro, subjetividade, tecnologia, relações de poder, risco.

Cristina Teixeira de Melo, Universidade Federal de Pernambuco - UFPE

Possui graduação em Comunicação Social pela UFPE (1990), mestrado em Linguística pela UFPE (1993), doutorado em Linguística pela Unicamp (1999) e pós-doutorado em Comunicação pela UFRJ. Atualmente é professora titular da Universidade Federal de Pernambuco. Tem experiência na área de Comunicação, no campo do audiovisual (documentário) e dos estudos discursivos.

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Publicado

2021-05-24

Edição

Seção

Dossiê Distopia e narrativas contemporâneas: a difícil arte de imaginar o futuro